Perecível sendo…adiei por algum tempo criar um espaço para meus desenhos, comecei lá atrás visitando algumas amigas e amigos, onde eu desenhava em sua maioria o que em um primeiro momento pareciam ser objetos despretensiosos de suas casas, ouvia as histórias dos seus donos, dividia minha atenção em ouvi-las e desenhar ao mesmo tempo.
Até hoje ainda não sei ao certo quais eram os motivos das escolhas dos objetos que desenhava, mas algo de mim estava neles e eu precisava descobrir, desvendar o que existia em mim nos objetos, quando desenhava já não eram mais objetos eram linhas e descobertas, não buscava um desenho perfeito muito menos histórias ideais, as linhas imprecisas acompanhavam a conversa que se desenhava a partir do objeto.
O objeto se revelava através da conversa, desnudo agora ele fazia parte de mim e essa experiência da escuta que reveste o objeto desenhado me preenche de memórias.
O desenho aqui nunca estará nu, não estou nu, a não ser que ignore tudo o que aconteceu antes e depois dos momentos, onde estive, quem me viu, cada conversa que poderia ter sido só um momento perecível mas que agora se tornou desenho.
O desenho é um recurso utilizado para lidar com os momentos que vivi e que ainda vou viver, para conserva-los no meu corpo nu.
Esses próximos desenhos são parte de uma viagem que realizei no recôncavo baiano só um recorte dos momentos que passei no começo deste ano.
| Artista educador que atualmente, desenvolve oficinas de artes visuais, serigrafia, estêncil e produção de brinquedos de madeira. Seu trabalho busca integrar a arte à educação em territórios diversos, considerando os contextos onde se insere, propondo possibilidades e processos artísticos de criação e diálogos com a arte. |
SP, 2025
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